Nome: Kirby SuperStar (EUA)/Kirby's Fun Pack (Europa)
Consola: SNES
Género: Plataformas
Produtora: HAL Laboratory
Editora: Nintendo
Lançamento: 1996 (EUA/Japão), 1997 (Europa)
Multiplayer: 1-2 jogadores
Muitos consideram a SNES como o auge da indústria dos videojogos. Aqui se estrearam e se renovaram muitas séries, e as suas passagens pela 16-bits da Nintendo ainda são hoje recordadas como algumas das melhores obras de entretenimento interactivo jamais vistas. É o caso de Super Mario World, A Link to the Past, Super Metroid, Final Fantasy VI ou Street Fighter II. Cada um destes títulos é considerado, ainda nos dias de hoje, dos melhores (ou até mesmo os melhores) dentro das suas franquias.
Sem se revelar como a excepção, Kirby SuperStar (conhecido na Europa como Kirby’s Fun Pack) também é encarado, pelos fãs da “bola cor-de-rosa”, como sendo o melhor da saga e, com o remake para a DS à porta, não há melhor altura para recordar um dos melhores platformers da SNES.

Kirby SuperStar (KSS) não é um jogo, mas sim 8 jogos. Cinco deles são jogos de plataformas de curta duração (aproximadamente entre 30 minutos e uma hora) e os restantes três são mini-jogos.
As cinco aventuras (sobre as quais me irei concentrar principalmente durante a análise) não têm qualquer ligação entre si em termos de história, e, na verdade, as suas histórias acabam por ser fúteis. Por exemplo, Spring Breeze gira à volta da comida roubada por King Dedede, a qual Kirby tem de recuperar, e em Revenge of Meta Knight, o dito cujo que quer vingança tenta conquistar Dream Land, cabendo ao nosso herói impedi-lo. Todavia, esta falta de interesse nas histórias é previsível, pois KSS centra-se acima de tudo na jogabilidade, tal como Mario.
De início só estão disponíveis 3 aventuras: Spring Breeze (baseado no primeiro jogo do franchise, Kirby’s Dream Land para Game Boy), Dyna Blade e The Great Cave Offensive (um jogo de exploração que tem como objectivo encontrar os 60 tesouros escondidos ao longo do cenário).
Após cumprir certos objectivos, as duas aventuras restantes, Revenge of Meta Knight e Milkyway Wishes, são desbloqueadas.

A constante da jogabilidade ao longo de todas as aventuras é o poder de sucção e cópia de habilidades. Por outras palavras, Kirby tem a capacidade de, literalmente, engolir os inimigos, que podem ser utilizados como armas de arremesso, um pouco ao estilo de Yoshi. Contudo, poderão optar por, em vez de cuspi-los, absorver as habilidades dos inimigos.
Com base nisto, Kirby pode transformar-se num guerreiro, num ninja, num mago, num "bomberman", entre outras “classes”, consoante o adversário que absorve.
Mas isto não se fica por aqui. Conjuntamente existe a possibilidade de, após sugarem o inimigo, em alternativa de absorverem o seu poder, torná-lo num helper. Um helper baseia-se num sidekick que presta auxílio ao longo da aventura, podendo ser controlado pelo computador ou pelo segundo jogador.
No entanto, apesar de se revelar bastante proveitosa, esta funcionalidade tem as suas falhas. Quando o helper é controlado pelo computador, denota-se uma fraca IA. Como resultado, esta opção acaba por se revelar, em certas situações, um inconveniente, e não uma ajuda.

De aventura para aventura, a jogabilidade sofre ligeiras alterações. Uma das características que sofre mutações é a linearidade: enquanto que em Spring Breeze a acção se desenrola unicamente da esquerda para a direita (como em Super Mario), em The Great Cave Offensive há uma maior liberdade e uma componente de exploração (como em Metroid, mas não tanto, evidentemente). Outro exemplo de mutação é Milkyway Wishes, a única aventura onde não é possível absorver directamente as habilidades dos adversários. Aqui, para Kirby se transformar, é necessário descobrir os Deluxe Ability Pedestals, items que tornam o Kirby numa certa “classe”. Estes items podem ser usados quantas vezes quisermos.

Os gráficos de Kirby SuperStar, ainda que não sejam os melhores já vistos na SNES, são um festim de cores para os olhos, com cenários, modelos e animações bem detalhadas.
A banda sonora acaba por passar despercebida, não sendo composta por temas tão épicos como Zelda ou Mario (sendo, talvez, Meta Knights’ Revenge a única excepção). Mesmo assim, cumpre a sua função.
The Gourmet Race, Megaton Punch e Samurai Kirby são os três mini-jogos que estão disponíveis desde o primeiro segundo em Kirby SuperStar. O primeiro consiste em 3 corridas contra o King Dedede. Megaton Punch é um jogo de timing, onde temos de clicar no exacto momento em que a) uma barra chega ao topo; b) duas imagens ficam sobrepostas; c) um pêndulo coincide com um círculo. Samurai Kirby também é um jogo de precisão, mas neste caso temos unicamente de clicar o mais rapidamente possível quando um “cronómetro” começa a contar.
De todos os mini-jogos, apenas The Gourmet Race não tem multiplayer para dois jogadores.

O maior ponto fraco de Kirby SuperStar é a longevidade. Com apenas 5 horas (ou até mesmo menos) é possível chegar ao fim de todos os jogos sem grande dificuldade.
O replay-value também não é muito. Temos a possibilidade de tentar apanhar todos os tesouros de The Great Cave Offensive e todas as Deluxe Ability Pedestals, mas isso não é uma grande motivação para voltar a pegar no jogo. O multiplayer, embora possa ser divertido nas primeiras partidas, acaba por ser enfadonho, devido, essencialmente, à enorme simplicidade, reduzindo ainda mais o replay-value.

Kirby SuperStar revela-se um jogo muito divertido e que nos mantém presos durante as poucas horas que dura. Embora a longevidade não seja das melhores, possui uma jogabilidade única e gráficos coloridos e atractivos.
As várias referências à Nintendo, como o gorro do Link e o boné do Ness que Kirby ganha em certas “classes”, ou o Triforce, ScrewAttack e outros items famosos como tesouros capturáveis em The Great Cave Offensive, tornam este título obrigatório para qualquer fã de Nintendo.
Uma obra de excelência intemporal.
Gráficos: 8
Som: 8
Jogabilidade: 9
Longevidade: 7
Nota Final: 8